Feeds:
Posts
Comentários

Cannes, as previsões

O preview bonitinho não veio, mas aquele “Primeiras Impressões” fica valendo. ;) Agora é hora de apostar nas escolhas do júri presidido por Nani Moretti, pelo que deu pra ir pescando nos últimos 10 dias.

Esse exercício é muito difícil, porque tu só tem acesso às opiniões das pessoas que viram os filmes. E cada crítico tem uma opinião diferente. Um acha que se um filme foi vaiado, não tem chance de premiação; outro acha que se for vaiado, quer dizer que ele tá bem na fita, porque é um filme polarizador (ame-o ou deixe-o), um pouco como foram, por exemplo, os dois últimos vencedores da Palma: Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010) e A Árvore da Vida (2011), embora eu conceda que, quanto a esse último, fiquei um pouco no meio do caminho. O vencedor em 2009 (A Fita Branca), creio ser bem menos polarizador – um filme meio que de consenso como, alguns acreditam, seja também o Haneke deste ano, Amour, um dos que tem mais chances de sair premiado.

A lista que segue tenta apontar um pouco uma classificação, em categorias, entre os que têm mais e menos chances de saírem premiados com a honraria máxima, a Palma. A seguir, aponto para alguns possíveis premiados nas outras categorias.

Tiro no escuro total, isso. Bem diferente de apostar no Oscar. (Mas tão ou mais divertido.)

PALMA:

Filmes com maiores chances:

1.Cosmopolis (É uma aposta minha. Ninguém tá comentando muito. Cronenberg nunca ganhou uma Palma. Cannes tem também, como no Oscar, embora menos, essa coisa de “fulano ainda não ganhou”, “fulano já ganhou demais”. Se houvesse um favorito claro, tudo bem. Mas esse ano, parece que não há. Nessa coisa meio de “ah, mas vaiaram”, acho que ele tem chance, no sentido de ser polarizador. Mas é uma aposta. Não é a mais segura.)

2.In the Fog (Nunca vi um filme do Loznitsa, embora o Merten adore aquele “My Joy”, que, supostamente, estreou em alguns lugares (aka São Paulo) esse ano. O filme ganhou o prêmio da crítica. Ano passado, foi “O Porto” que ganhou esse prêmio, e saiu de mãos abanando. Mas o Loznitsa parece que tem algum apelo. Sokurov ganhou o Leão em Veneza. Será a época dos russos?)

3.Mud (Vejam “Take Shelter”, é muito bom. Quem viu “Shotgun Stories” diz que também é. Seria uma escolha ousada, um diretor meio que novato, o Jeff Nichols. Mas o filme foi muito elogiado. Alguns consideram “o melhor americano” da edição. Uma surpresa. Parece que evoca Malick em Badlands, coisa do tipo.)

4.Rust and Bone (É o francês da vez. Audiard perdeu pro Haneke há 3 anos. Esse ano acho que pode ter mais chance. O filme, senão é uma unanimidade, diz-se que é muito impressionante. História forte.)

5.Amour (Haneke é um dos favoritos. Ponho ele em quinto porque não acredito que vão premiá-lo novamente, apenas 3 anos depois. Mas esse aqui é o filme de consenso. Se nem todos se apaixonaram, parece que ninguém desgostou do filme. Por incrível que pareça, isso é bem raro.)

6.Beyond the Hills (Da série “não vi e já gostei”. Cinema romeno represent! Também é um dos filmes mais elogiados do festival, mas o que pega é a historinha que corre aí que Nani Moretti não vai com a cara do Mungiu. Lembre-se também que o Mungiu, embora jovem realizador, já tem a Palma, de 2008, por “4 Semanas…”.)

Filmes com alguma chance:

7.The Hunt (Um dos que tenho mais expectativa pra assistir. O assunto é palpitante. [Essa semana assisti "M" de Fritz Lang.] Ano passado já teve um filme sobre pedofilia ["Michael"]. Ouvi coisas boas sobre o Vinterberg desse ano.)

8.On the Road (Podia estar mais acima. Teve que se encantou, mas, ao que consta, poucos. Muitos não se empolgaram. O filme é tido como episódico. Eu mal posso esperar pra vê-lo.)

9.Lawless (Podia estar mais acima, mas também parece que não empolgou tanto.)

10.Holy Motors (Pouco ouvi falar sobre, mas escutei elogios muito rasgados. Talvez seja aquele que desperte defesas muito apaixonadas.)

11.Vous N’Avez Encore Rien Vu (Mais pela grife [Resnais] do que pelo filme.)

12.Killing Them Softly (Surpresa geral. Teve pessoas que detestaram o filme.)

13.Moonrise Kingdom (Todo mundo meio que curtiu, mas não é material pra Palma.)

14.The Paperboy (Polarizante. Não vejo grandes chances. Vejo grandes expectativas.)

15.Reality (Fator Itália? Nah.)

Filmes sem chance alguma:

16.The Angel’s Share (Nada a declarar.)

17.Like Someone in Love (Não foi dessa vez, Kiarostami. O filme, ao que consta, não repete a mágica de “Cópia Fiel”.)

18.Post Tenebras Lux (Um dos filmes mais malhados da seleção, senão o mais. Bem estilizado. Tenho curiosidade.)

19.In Another Country (Alguém ouviu falar alguma coisa dos coreanos da seleção?)

20.The Taste of Money (Ver item 19.)

21.Paradise: Love (Parece ruim. Parece o “A Fonte das Mulheres” desse ano. Pessoas não entendem porque foi selecionado.)

22.Aftert the Battle (Bastante mal-avaliado.)

OUTROS PRÊMIOS

Grand Prix e Prêmio do Júri.

A medalha de prata e a medalha de bronze do festival. Olha, não acredito que “Amour” e “Beyond the Hills” levem a Palma, mas não acredito que saiam sem premiações. “Amour” pode ter chances também com seu elenco. Se os quatro primeiros nomes da listinha têm mais chance de levarem a Palma, é bem provável que o Haneke e o Mungiu dêem o ar de sua graça por aqui.

Diretor

O prêmio vai pra algum auteur, não tenha dúvida disso. Que filme conta com a marca do seu realizador? Que filme é mais estilizado? Onde a mise en scene grita mais que nos outros? Pra tradição francesa, isso é que pesa. Ano passado, o prêmio foi Winding Refn, sendo que “Drive” era, inclusive, minha aposta de Palma, se não estou enganado. Maiores chances, portanto (e, claro, dependendo de não ser contemplado em outras categorias): Haneke, Mungiu, Cronenberg, Jeff Nichols, Loznitsa. Talvez Audiard.

Ator

Os mais comentados: Schöenarts (no entanto, o reconhecimento a “Rust and Bone” pode vir via Marion Cotillard), o velhinho de “Amour”, o ator de “Reality”, com toda a historinha de ele estar preso, o ator de “The Hunt”. Deve ficar entre esses. Garrett Hedlund, por “On the Road”, talvez tenha chances.

Atriz

Marion, Emmanuel Riva, por “Amour”, talvez as atrizes de “Beyond the Hills” dividindo. Alguns falaram em Nicole Kidman, também. Não sei, eu apostaria em Marion, prata da casa.

Roteiro

Aqui é chance pra outros filmes aparecerem, também. Entre os que não foram citados como os com mais chance de premiação (que são, especialmente os 6, 7 filmes mais bem ranqueados), eu destacaria chances para “Moonrise Kingdom”, o filme do Resnais, talvez, se despertar reações muito apaixonadas, “On the road”. Talvez, mais difícil, o Ken Loach.

_________________

Isso aí. Prontos pra quebrar a cara?

Só quero dizer que em 2010, um filme muito estranho foi escolhido pelo júri presidido por Tim Burton, e eu tinha muito medo daquela escolha.

Sabe o que tu faz quando tem medo assim?

“You just live, man.”

(Isso quer dizer que eu vou tentar compensar o não-post da semana passada com 2 posts nesta? Quer dizer que eu vou tentar. Até porque Cannes tá aí, e também estou devendo posts naquele departamento.)

Não deixo de ficar um pouco com remorso de ter iniciado esta série descendo o sarrafo tão intensamente no filme de que tratei no post passado. Mas vocês não querem que eu doure a pílula, né?

O filme de hoje, portanto, é um clássico do gênero, obrigatório para os interessados. Pacto de Sangue [Double Indemnity], de Billy Wylder, com Fred MacMurray e Barbara Stanwyck. MacMurray, dos três, é o mais desconhecido. Embora tenha tido uma carreira prolífica, e tendo sido recrutado mais tarde pra fazer “The Apartment”, com Wylder, meio que passou batido, ao que consta, na maioria de seus trabalhos posteriores. Stanwyck, nossa femme fatale do dia, ficou reconhecida como uma das grandes atrizes de seu tempo, tendo sido indicada a 4 Oscars entre os anos 30 e 40, e tendo ganho um honorário, já no fim da vida, em 1981. Mas, enfim. O grande astro aqui é realmente Billy Wylder, não é? Temos alguns cinéfilios realmente tarados por Wylder… Não me sinto muito confortável pra tecer grandes comentários acerca da carreira de Wylder, embora, dos poucos, 4 ou 5, filmes dele que já assisti, apenas um tenha considerado “um grande filme” e os outros me deixaram um pouco com a sensação de “Ah, era isso?”, sendo um que um deles já foi até uma coisa mais “Hmm, eles realmente gostaram disso nos anos 50?”.

Cabe falar, porque “o grande filme” é um filme que comumente entra em listas de noir, embora, pros meus parâmetros, eu não exatamente o consideraria um. Tem elementos de noir, mas não é, assim, um noir na veia. Pode ser, talvez, um “estudo de personagem” com toques de noir. Obviamente, refiro-me ao excelente Sunset Boulevard/Crepúsculo dos Deuses, que é um dos grandes filmes dos anos 50, um dos grandes filmes sobre a indústria cinematográfica e conta com uma das mais impressionantes personagens que Hollywood já viu, a Norma Desmond de Gloria Swanson.

Double Indemnity não é tão bem-sucedido, mas é um bom filme, merece ser visto. A história desse noir é a mais clássica possível. Um homem (McMurray) é seduzido por uma mulher casada (Stanwyck, com carinha de criança e uma peruca esquisitíssima, um pouco difícil de comprar que ela seja uma femme fatale), que tenta convencê-lo a arquitetar um “plano infalível” para assassinar seu marido, de modo que os dois herdem a fortuna dele.

Acho que não vale muito a pena entrar mais a fundo no desenvolvimento da trama, porque ela já é tão nuclear que isso envolveria muita contação de spoilers. Obviamente, vocês sabem que as coisas não vão se sair exatamente como eles previram desde o início. Vale o destaque pra uma line muito boa (e aí vão elogios pra Wylder, que realmente era muito bom escritor), mas que não posso reproduzi-la na inteireza: “Nunca te amei, até um minuto atrás quando (…) [spoiler, gang!].”

O filme tem uma pegada meio “Crime e Castigo”, mas acho que sem tanta profundidade psicológica. Claro, talvez isso seja uma característica dos noirs, mas eu não deixo de sair com a sensação de que ficou faltando algo, alguma substância. A atmosfera é bacana, o jogo de luz e sombra, a voice over (embora, acredito que nos 40 tivesse um peso bem mais vanguardista do que hoje em dia, quando roteiristas de dramas médicos românticos [estou olhando pra você, Shonda Rimes] usam isso à exaustão, a ponto de nos fazer querer vomitar se tivermos que escutar mais uma narração em off), enfim, tudo é meio legal, mas not quite there.

Em suma, é um noir, mas não é O noir. Talvez O noir de Billy Wylder seja Sunset Boulevard, um noir que não é noir, mas é O filme.

*Curiosidade: Double Indemnity foi escrito em parceria entre Wylder e Raymond Chandler, baseado num livro de James M. Cain. Esses caras, como vocês sabem, são dois dos papas da ficção de polpa que foi tão adaptada pelo cinema noir. O estilo, que D.I. tanto ajudou a popularizar, fez com que Cain se sentisse explicitamente plagiado, e ele começou um movimento para tentar impedir que copiassem tanto o cerne da história que escrevera. Estamos aqui diante do cara que inventou essa coisa da mulher seduzir um cara pra matar o marido?

Double Indemnity é #2 na lista do Top 100 filmes noir da história, no site Digital Dream Door. Sunset Boulevard é #4 na mesma lista. Eu sigo achando q S.B. não é noir, mas se for, com certeza deveria estar acima de D.I.

Para tentar resgatar a prolificidade (?) do nostálgico ano de 2009, resolvi criar uma nova categoria no blog.

Inauguro aqui a sessão “Noir da semana”. Enfim, estou obcecado por filmes noir. Você sabe o que é um filme noir? Não? Eu também não sabia até pouco tempo atrás, devo confessar. Mas daí, esses tempos, escrevi um trabalhinho em que precisei ler um pouco a respeito e acho que encontrei algumas boas definições, a partir, principalmente, a partir da Enciclopédia do Filme Noir, de Mayer e McDonnell.

Esse site aqui, também é bem legal. Vamos ao auto-plágio, então:

Andrew Spicer (citado por Mayer) nota que, em relação ao noir, há uma mitologia chã que afirma ser sua quintessência “aqueles filmes em preto e branco dos anos 40, banhados em sombras profundas, que ofereceram um ‘espelho negro’ à sociedade americana e questionaram o otimismo fundamental do sonho americano”. No contexto histórico, por mais que a mitologia careça de envergadura conceitual, parece ter sido justamente esse o peso do film noir; aquele rebento incômodo que surge das profundezas do clássico melodrama, apontando outra luz ao horizonte, rabisco sobre a moral confortavelmente branca (ameaça ao egrégio happy ending hollywoodiano?). Pois, em especial nos anos 40 e 50, certo tipo de filme acontece, comumente herdeiro de uma estética do expressionismo alemão, estilo visual característico, com luzes e mise en scène a provocar efeito de um mundo deslocado, desconhecido, perpetrado por alienação e desespero humanos. Uma narrativa que põe em voga um conflito essencialmente interno do personagem, a habitação de uma moral ambígua, por vezes universo amoral, compreendido pela literatura de autores como Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain, chiaroscuro adensando-se para além de uma dicotomia, rumo a um mundo de significados e verdades turvos.

(Ah, e não se esqueçam da femme fatale. Vez por outra, ela dá o ar de sua graça.)

Por enquanto tá bom, né?

O filme de hoje – dessa semana – é “Detour” (Curva do Destino), de 1945, dirigido por  Edgar G. Ulmer, com Tom Neal e Ann Savage, no elenco.

Criou-se uma mitologia sobre esse filme, parece, principalmente a partir dos anos 70 e 80 (época de uma revitalização do noir, principalmente com o controverso conceito de neonoir). Foi falado que ele custou apenas 20 mil dólares, que foi filmado em 6 dias. Dizem por aí que não é bem assim, mas a verdade é que é realmente impressionante o resultado do filme, diante de condições de produção tão adversas e com, afinal, um orçamento baixíssimo.

Contudo…

eu receio que o filme não seja isso tudo, ao menos para este humilde blogueiro (nas horas vagas) que vos fala. O filme até começa bem, e usa uns efeitos impressionantes. Na iluminação, principalmente, que ressalta a angústia do nosso over-culpabilizado protagonista. Mas… depois que a femme fatale entra em cena, a coisa meio que desanda total. A interpretação está triste, de doer, principalmente dessa moça, Ann Savage.

O filme, em si, conta a história de um homem, e uma estrada. Ele é assolado, no presente, pelos seus descaminhos, que têm origem na tentativa de reencontrar a sua noiva, que deixou-o em NY, para tocar piano nesses bares estilo filme noir – uma coisa meio “Atirem-no-Pianista”-,-do-Truffaut-feelings -, para tentar a sorte grande em Hollywood. Nosso herói resolve ir atrás da moça dos seus sonhos, mas quando pega a estrada, se depara com terríveis obstáculos que incluem um rico herdeiro que fugiu de casa quando adolescente, depois de furar os olhos de um amigo – “Você sabe como a gente é na juventude” – e uma mulher muito mal-encarada, a femme fatale do filme, que te deixa agoniado de tão falsamente badass que ela é. O desfecho até que é interessante, tem uma qualidade meio “conversa-com-o-leitor-de-Machado-de-Assis” que eu noto também em “Farrapo Humano” [The Lost Weekend] (é noir?), de Billy Wilder, mas que não vem ao caso. Até chegarmos lá, nosso diretor, Ulmer, está pedindo um grande esforço da nossa parte: não dá pra comprar tudo que ele nos oferece – isso inclui uma cena muito dramática que envolve um fio de telefone – sem spoilers! -, que só vendo pra crer.

Conclusão: se você quiser começar a assistir filmes noir, acho que “Detour” não é uma boa introdução.

*Curiosidade: Em 1992, fizeram um remake do filme, com o ator Tom Neal Jr. no papel que fora de Tom Neal. Dizem que a emenda ficou pior que o soneto. Alguém se arrisca a ver essa bomba?

Detour é #68 na lista do Top 100 filmes noir da história, no site Digital Dream Door.

Trilha sonora: “I Can’t Believe that You’re in Love with Me”, Claudia Drake

 

Meninos, [eu vi] saiu a lista oficial de Cannes! \o/

O blog anda abandonado às teias de aranha, né? [Assim como meu ventilador de teto que nunca funcionou...] Mas Cannes deve revigorar tudo nas nossas existências woolfianas. Queria compartilhar algumas primeiras impressões, antes de entrar fundo na experiência-Cannes, com um preview mais elaborado, como o do ano passado e com, quem sabe, alguma surpresinha que eu tenha guardada na manga?

1.Moonrise Kingdom, Wes Anderson: A expectativa é boa, mais pelo elenco do que pelo diretor, em si. Tilda Swinton, Frances McDormand, Edward Norton? Count me in! ["Quero dizer que estou dentro." - #mertenfeelings]

2.De Rouille et d’Os/Rust and Bone, Jacques Audiard: Uau! Marion Cotillard e Matthias Schoenarts (do já badaladinho filme belga que foi ao Oscar esse ano) fazem o casal improvável do filme pós-Un Prophète de Audiard. Parece win win win.

3.Holy Motors, de Leos Carax: caixinha de surpresas.

4.Cosmopolis, de David Cronenberg: só digo que depois de ter assistido a “Um Método Perigoso” e “Videodrome”, nas últimas 2 semanas, Cronenberg subiu muitas posições na minha lista de melhores diretores ever. Paul Giamatti e Juliette Binoche entram como bônus.

5.The Paperboy, de Lee Daniels: Eu não quis ler muito sobre a história, porque a página na Wiki tá cheia de spoilers. O elenco (Zac Efron, McConaughey) me deixa com medo. Lee Daniels dirigiu “Precious”. Hmm. Almodóvar produz.

6.Killing Them Softly, de Andrew Dominik: Parece interessante. Qual foi o último filme ruim do Brad Pitt?

7.Reality, de Matteo Garrone: Fãs de “Gomorra”? Anyone?

8.Amour/Love, de Michael Haneke: Haneke? Estou dentro, estou dentro, estou dentro.

9.Lawless [Bah, nem sabia que esse era o novo nome de "The Wettest County" - Eu até achava "The Wettest County" mais kickass], de John Hillcoat: Esse é um dos filmes mais aguardados da temporada, já se ouve coisas sobre ele há um bom tempo. Tem um elencaço (fora Shia Leabeauf, o protagonista). Hillcoat foi muito bem-sucedido no seu filme anterior, “A Estrada”. É pra ficar de olho.

10.In Another Country, de Hong Sang-Soo: Hupert está nesse filme coreano. Interessante. O diretor foi premiado com o Grand Prix, dois anos atrás, em “Un Certain Regard”, com um filme chamado “Ha Ha Ha”. No mínimo, capcioso.

11.The Taste of Money, de Im Sang-Soo: Eles são irmãos? Uma rápida olhada na sinopse desperta atenção. Uma coisa meio sexo e poder, a corrupção do mundo dos ricos… Se for feito sem moralismo, bem à francesa, pode ser muito bom.

12.Like Someone in Love, Abbas Kiarostami: Kiarostami dirige essa produção franco-japonesa. Tem a ver com prostituição. Soa bem diferente do maravilhoso “Cópia Fiel”.

13.The Angel’s Share, de Ken Loach: Pode ser divertidinho.

14.In the Fog, de Sergei Loznitsa: Eu ainda não assisti “My Joy”, de Loznitsa, que o Merten venera. A recém tô começando a recuperar o Sokurov. Rússia e filmes asiáticos são universos a serem desbravados.

15.Beyond the Hills, de Cristian Mungiu: Para saciar minha nostalgia por filmes romenos! Cristian Mungiu dirigiu “4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias” (Palma em 2007) e o menos bem-sucedido, mas também interessante “Contos da Era de Ouro”. Tudo que é cinema romeno me interessa profundamente.

16.After the Battle, de Yousry Nasrallah: Yousry, eu não conheço. Estamos no escuro aqui. O filme vem do Egito.

17.Mud, de Jeff Nichols: Terceiro filme de Jeff Nichols (os outros são “Shotgun Stories”, que ainda preciso resgatar e “Take Shelter”, que é excelente – vejam!), terceira parceria com o excelente Michael Shannon. Mas… mas… Reese Witherspoon E McCounaghey (de novo? como?). Quer dizer… medo.

18.You Haven’t Seen Anything Yet/Vous N’avez Encore Rien Vu, de Alain Resnais: Resnais, check. Um bando de atores que se reúne para ler o testamento de um de seus companheiros que acaba de falecer, check.

19.Post Tenebras Lux, de Carlos Reygadas: Soa bem experimental, bem radical, algo autobiográfico. Não conheço o cinema de Reygadas, mas o filme parece muito interessante.

20.On the Road, de Walter Salles: Precisamos disso.

21.Paradise: Love, de Ulrich Seidl: Primeira parte da trilogia “Paradise”; os outros são: Paradise: Faith e Paradise: Hope. Seidl é austríaco, e desses diretores que faz um filme a cada 4, 5 anos.

22.The Hunt, de Thomas Vinterberg: Para onde Vinterberg vai depois de “Submarino”?

Vencedores do Prêmio “Great Expectations”: Rust and Boone, Cosmopolis, Love, Beyond the Hills, On the Road.

Cannes vem aí.

PS: Nada a ver com a postagem, mas tudo bem. Ontem reassisti boa parte de “Nine” e ratifiquei minha impressão: é um clássico incompreendido.

Permeio [/But they don't wave]

Todo solene, enchi minha caneca de café, cuidando pra me preservar das formigas. [Na tv, tava passando "Os Pássaros" e achei tudo muito simbólico. O cara do café grita "It's the end of the world, it's the end of the world". A velhinha, cujo passatempo é ornitologia diz que os pássaros trazem beleza para nossa vida. Hmm.] Na sala, sou obrigado a passar por ela, eu disse, tentando conter meu acanhamento:

“Não fui.”

A pessoa à minha frente meio que não entendeu, meio que estava provavelmente pensando em qualquer outra coisa. Comecei a ensaiar: “Não fui na defesa da minha colega”. A metralhadora giratória começou a disparar qualquer coisa do tipo “Em compensação, em defesa de tua amiga, a Veja publicou páginas e mais páginas de um suposto affair à holandesa.” Eu apenas olho, desconcertado. “Podemos falar sobre isso, também.” Provavelmente, não fui suficientemente enfático. Vamos tentar de novo: “Estou começando a ficar nervoso, já. Preciso terminar meu texto”. A resposta foi: “Sim, a propósito, hoje ou amanhã? Amanhã ou depois de amanhã? Isso é quando minha irmã descobrirá quando será sua cirurgia.” Última tentativa: “Ou isso. (…) E todas aquelas pessoas me deixam muito nervoso.” Metralha: “Bem, pois é!!!”. Provavelmente não estou pontuando muito direito esse parágrafo. Me resignei: “Ou, nada.”

Tô definitivamente nervoso, agora. Dizem que a melhor defesa é o ataque.

Só quero dizer uma coisa: “I don’t want neither the box or the bag.”

Trilha sonora: “Yellow Ledbetter”, Pearl Jam.

Só no apagar das luzes…

Como se tornou tradição no blog apostar nos vencedores do Oscar, parece que tornou-se também tradição fazê-lo no último instante possível. Mas, vá lá, agradeça-me depois de ganhar o bolão da família.

Eis aqui meu retrospecto:

2009: 16/20 (Preguiçoso demais pra apostar nos curtas)

2010: 16/24 (Preguiçoso demais pra investir em pesquisa. As apostas dos curtas foram um desastre.)

2011: 18/24 (Respeitável, mas podia ter sido melhor. Não dá muito pra seguir instinto aqui. Mas também não dá pra cair na armadilha do overthinking).

Minha meta para 2012 é ultrapassar as 18 categorias de 2011. 20 seria bem razoável.

Bom, esse ano parece estar sendo lembrado como um ano ruim para filmes, o que definitivamente não é. Apenas, as escolhas da Academia estão sendo tão preguiçosas quanto a minha dedicação pela previsão dos curtas em anos anteriores. Filmes excelentes como MelancoliaDrive, Precisamos Falar sobre o Kevin, J.Edgar, Margin Call, Beginners. Cadê eles? Enough bitchin’.

BEST PICTURE

Tem três filmes aqui que eu realmente aprecio: Moneyball, Hugo A Árvore da Vida. Gosto também de “Midnight in Paris”, mas não tanto assim. “War Horse” é um filme irregular. “Tão Fort e Tão Perto” é melhor do que tem sido dito a seu respeito. “The Help” e “Os Descedentes” são péssimas escolhas para estarem aqui. Ah, e “O Artista”. “O Artista” é bacaninha, até.

Vai ganhar: O Artista

Deveria ganhar: A Árvore da Vida

Deveria ter sido indicado: Melancolia

MELHOR DIRETOR

Vai ganhar: Michel Hazanavicius

Deveria ganhar: Terrence Malick

Deveria ter sido indicado: Lars von Trier

MELHOR ATOR

Assisti a atuação de Demián Bichir. Boa atuação, mas tivemos tantas esnobadas injustas esse ano! Leo DiCaprio, Michael Fassbender (que ainda não vi, mas já adorei), Michael Shannon e… Ryan Gosling. E Ryan Gosling. Fim de discussão.

Vai ganhar: Jean Dujardin, O Artista

Deveria ganhar: Gary Oldman, Tinker Tailor Soldier Spy. Brad Pitt também está muito bem.

Deveria ter sido indicado: Ryan Gosling, seja por qual filme for. Flip a coin.

MELHOR ATRIZ

Não tendo assistido Albert Nobbs e My Week with Marilyn, o motto parece ser: ótimas atrizes, boas interpretações, filmes medíocres. A exceção, obviamente, é o filme de Rooney Mara.

Vai ganhar: Viola Davis, The Help

Deveria ganhar: (Sem ter visto Williams ou Close) Meryl Streep, The Iron Lady

Deveria ter sido indicada: Tilda Swinton, Precisamos Falar sobre o Kevin

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Onde está Jeremy Irons? Onde está Ezra Miller? Onde estão todos os excelentes atores de The Ides of March?

Vai ganhar: Christopher Plummer, Beginners

Deveria ganhar: Christopher Plummer, Beginners (Von Sydow está muito bem também, diga-se de passagem.)

Deveria ter sido indicado: Jeremy Irons, Margin Call

ATRIZ COADJUVANTE

Essa lista realmente é fraquíssima. Shame on you, Oscar.

Vai ganhar: Octavia Spencer, The Help (a pior das 4 que assisti!)

Deveria ganhar: Jessica Chastain, The Help ou Berénice Bejo, The Artist (não assisti McTeer)

Deveria ter sido indicada: Carey Mulligan, Drive (ou qualquer outro dos filmes da Chastain esse ano.)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Tiro o chapéu pro braço dos roteiristas. As duas seleções estão muito inspiradas.

Vai ganhar: Não estou totalmente convencido que vão de Woody Allen. Ele ganhou o sindicato de roteiristas, é verdade, mas lembrem que o Artista não estava elegível. Dito isso… Eles vão dar pra um filme mudo? Nem eles se acham tão vanguardistas, não é mesmo? Então… Woody Allen, Midnight in Paris.

Deveria ganhar: JC Chandor por Margin Call.

Deveria ter sido indicado: Lars von Trier por Melancolia.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Vai ganhar: (mais uma vez, o pior deles.) O trio que concorre por Os Descendentes.

Deveria ganhar: George Clooney et al. por The Ides of March. Mas premiar Moneyball ou Tinker Tailor não cairia nada mal.

Deveria ter sido indicado: Precisamos Falar sobre o Kevin.

MELHOR ANIMAÇÃO

Vai ganhar: Rango, no-brainer.

Deveria ganhar: ???

Deveria ter sido indicado: ???

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Vai ganhar: A Separação, mas não canso de lembrar que tem filme de holocausto na disputa.

Deveria ganhar: Só vi o iraniano, mas me interesso muito por Bullhead.

Deveria ter sido indicado: Droga, perdi a sessão de La Guerre Est Declarée essa semana! (Tropa de Elite2?)

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Essa é uma das categorias mais difíceis de prever. Dizem os entendidos que qualquer um dos cinco pode ganhar. Sei lá. A priori, eu descartaria If a Tree Falls e Hell and Back Again. O resto….

Vai ganhar: Undefeated. É o mais emocional dos cinco.

Deveria ganhar:???

Deveria ter sido indicado: Quem viu, acha que Project Nim merecia. Ah, também tem o filme do Senna, que não era elegível.

MELHOR DOCUMENTÁRIO CURTA

Vai ganhar: The Tsunami and the Cherry Blossoms. Ouviram aqui primeiro.

MELHOR CURTA

Vai ganhar: Confesso que a minha pesquisa nesta categoria não foi tão acurada. Shot in the dark: Tuba Atlantic.

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO

Vai ganhar: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore. Ouviram aqui primeiro.

MELHOR TRILHA

Vai ganhar: Ludovic Bource, O Artista.

Deveria ganhar: Alberto Iglesias, Tinke Tailor Soldier Spy.

Deveria ter sido indicado: Alexander Desplat, The Ides of March.

MELHOR CANÇÃO

50/50, huh?

Vai ganhar: Man or Muppet, The Muppets. Sujeito a zebras.

Deveria ganhar: As duas músicas são ruins.

Deveria ter sido indicado: Think You Can Wait, Win Win.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Não é bom apostar em filmes diferentes nas categorias de som. Eu escutei pelo grapevine que deve dar War Horse aqui, Hugo em mixagem. Mas vocês sabem: não é bom apostar em filmes diferentes nas categorias de som. Sem overthinking.

Vai ganhar: Hugo

Deveria ganhar: Drive (pelo amor do fucking Deus.)

Deveria ter sido indicado: Bom trabalho de som em Tão Forte e Tão Perto.

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Vai ganhar: Hugo.

Deveria ganhar: Hugo.

Deveria ter sido indicado: Tão Forte e Tão Perto.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Grande barbada da noite, junto com a vitória de Rango.

Vai ganhar: Ferretti & Lo Schiavo, por Hugo.

Deveria ganhar: Ferretti & Lo Schiavo, por Hugo.

Deveria ter sido indicado: Tinker Tailor Soldier Spy.

MELHOR FOTOGRAFIA

Essa é a categoria onde o povo vai se estrepar por conta do overthinking. Back to basics. Keep it simple.

Vai ganhar: Emmanuel Lubezki, por A Árvore da Vida.

Deveria ganhar: Emmanuel Lubezki, por A Árvore da Vida.

Deveria ter sido indicado: Manuel Alberto Claro, por Melancolia.

MELHOR MAQUIAGEM

Vai ganhar: The Iron Lady.

Deveria ganhar: Provavelmente, The Iron Lady

Deveria ter sido indicado: Sei que não é uma opinião popular, mas… J.Edgar???

MELHOR FIGURINO

Vai ganhar: Hugo.

Deveria ganhar: O figurino de Hugo é ótimo. Dizem que o filme da Madonna está muito bem nesse departamento.

Deveria ter sido indicado: Tinker Tailor Soldier Spy.

MELHOR MONTAGEM

Vai ganhar: O Artista.

Deveria ganhar: Moneyball.

Deveria ter sido indicado: Drive.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Fico indo e voltando, também aqui. Meu instinto aponta pra Hugo. Mas sabe a história do overthinking? Hmmm.

Vai ganhar: Planeta dos Macacos, A Origem.

Deveria ganhar: ???

Deveria ter sido indicado: ???.

Me cobrem depois. Rumo ao 20!

The fuckin’ Globes, baby!

A primeira regra pra se acompanhar uma temporada de premiações de filmes – falando, obviamente, de um contexto como esse, Golden Globes, Sindicatos e Oscar – é que não se deve levar tudo tão a sério. O povo amargurado reclama: “Esse está sendo muito ruim – veja como tem filmes pobres entre os indicados ao Oscar.” Eu respondo: duh. O maior erro que tu pode cometer é achar que os filmes indicados ao Oscar são representativos do que de melhor se produziu no cinema em dado ano. Claro que não! Até pra ter acesso a um pouco mais de variedade, vale muito mais a pena ficar atento ao Big-3 do circuito de festivais europeus: Berlim (que já, já tá aí), Cannes e Veneza. Isso quer dizer que não vale a pena acompanhar a temporada do Oscar, que é inútil, etc…? Pra algumas pessoas, pode ser. Mas contanto que se mantenha um espírito bacana quanto a isso, acho que pode ser muito divertido seguir as tendências, se pudermos rir um pouco de tudo isso e, claro, investir-se afetivamente também, de alguma forma, celebrando pequenas vitórias (como na vida, meus caros).

Com isso, chegamos ao preview do Globo de Ouro. Vale alguns comentários a cada categoria.

MELHOR DRAMA

Com o favorito “The Artist” destacado na outra categoria de Melhor Filme, a disputa fica bem interessante. Tiro o chapéu pro Globo por ter apostado em Tudo Pelo Poder, um filme que acho interessante em vários níveis. E isso quando a crítica, em especial, parecia não tê-lo apreciado muito. Ele seria o dark horse da categoria, mas é mais provável que os votos orbitem em torno de “Os Descendentes” e “A Invenção de Hugo Cabret”. Com um pouco menos de chances, “Histórias Cruzadas[The Help]“. “O Homem que Mudou o Jogo[Moneyball]” e “Cavalo de Guerra” – que ainda não assisti – devem fazer figuração. Certamente quem sair premiado daqui deve ser o principal concorrente de “The Artist” no Oscar, embora isso não queira dizer muita coisa. A essas alturas, já parece improvável que “The Artist” não seja o ganhador da categoria principal no Oscar. Posso comentar pouco dos filmes da categoria; somente que se “Tudo pelo Poder” fosse vitorioso, o que não deve acontecer, o prêmio estaria em boas mãos.

Deveria ganhar: “Tudo pelo Poder”

Vai ganhar: Difícil. O mais seguro seria apostar no filme de Alexander Payne, mas vou tentar arriscar que “Hugo” tem mais cara de Globo de Ouro. Vai ganhar  ” A Invenção de Hugo Cabret”.

MELHOR COMÉDIA/MUSICAL

Meia-Noite em Paris é um filme muito amado pela crítica. Na corrida em direção ao Oscar, diante dos resultados das indicações dos sindicatos, ele consolida-se como a quarta força, ao que parece, atrás apenas de “A Invenção de Hugo Cabret”, “Os Descendentes” e, naturalmente, “The Artist”. Se este fosse considerado drama, certamente o filme de Woody Allen sairia premiado como melhor comédia pelo Globo. Se… Os outros devem ficar pelo caminho.

Deveria ganhar: eu vou reter meu julgamento por enquanto. “The Artist” tem sofrido muitas críticas em função de ser um filme de relativamente poucas camadas, narrativa simples, pouco a impressionar. Mas é um esforço muito interessante o de fazer um filme silencioso atualmente.  Num certo sentido, me agrada que a narrativa da temporada seja “The Artist” (filme mudo) contra “Hugo” (3D). Mas vou aguardar a estréia, pra me decidir se gosto dele mais do que de “Meia-Noite em Paris”. (Por falar em estréia, dizem os bem-informados que a demora do filme de Hazanavicius em arrumar uma distribuidora no Brasil tem a ver com a quantia absurda que Harvey Weinstein está pedindo. Hmmm.”

Vai ganhar: “The Artist”.

MELHOR DIRETOR

Poderia ser uma disputa muito interessante, com Martin Scorsese, Woody Allen, George Clooney, Alexander Payne e – o desconhecido – Michel Hazanavicius na briga. Mas não é. Essa aqui é no brainer. Hazanavicius na cabeça.

Deveria ganhar: Embora “Meia-Noite em Paris” e “Tudo pelo Poder” não sejam propriamente os filmes que eu escolheria para estar nesta categoria, são ótimos filmes. Não seria nenhum absurdo premiar Clooney ou Allen. Mais uma vez, aguardo as estréias para o meu veredito.

Vai ganhar: Michel Hazanavicius, por “The Artist”.

MELHOR ROTEIRO

Aqui é onde eu acho que pode haver surpresas. O roteiro de “The Artist” não é exatamente o seu elemento mais exaltado. Enquanto isso, os outros quatro concorrentes todos têm roteiros muito apreciados. Steve Zaillian e Aaron Sorkin, por “Moneyball” seriam talvez um elo mais fraco, apesar do ritmo elogiado do filme, além do fato de que Sorkin ganhou no ano passado, pelo roteiro de “A Rede Social”. Woody Allen é indicado pela sexta vez, tendo ganho apenas em 1985, com “A Rosa Púrpura do Cairo”. George Clooney et al., por “Tudo pelo Poder” seria a chance do Globo expressar sua paixão por esse filme. Alexander Payne et al., de outra forma, poderia ser um prêmio de consolação ao elogiado “Os Descendentes”. Mas Payne já ganhou duas vezes, com Jim Taylor, por “As Confissões de Schmidt” (2002) e “Sideways” (2004). E aí???

Deveria ganhar: Roteiro não é só texto – obviamente -, então, isso não necessariamente deveria excluir “The Artist”, embora seja muito difícil comparar roteiros de filmes falados com o de um filme mudo. Mais uma vez, eu não teria problemas em ver os filmes de Clooney ou Allen premiados. Teria que ver os outros, pra avaliá-los…

Vai ganhar: É uma das disputas mais interessantes da noite. Eu acho que o Globo não vai querer bancar uma vitória esmagadora de “The Artist”. Aposto em Woody Allen, por “Meia-Noite em Paris”.

MELHOR ATOR EM DRAMA

Ryan Gosling foi lembrado por “Tudo Pelo Poder”, em vez de “Drive”. E aí? Mesmo assim, as chances dele são poucas, embora seja um tremendo ator. Tem muita gente, também, que admira o trabalho de Michael Fassbender em “Shame”, o que me deixa muito curioso. Mas acredita-se que a disputa está mesmo entre os pals, George Clooney, por “Os Descendentes” e Brad Pitt, por “O Homem que Mudou o Jogo”. O edge, no entanto, é de Clooney.

Quem deveria ganhar: Apenas digo que o Globo para Ryan Gosling estaria em boas mãos.

Quem vai ganhar: George Clooney, “Os Descendentes”.

MELHOR ATOR EM COMÉDIA

Dujardin foi eleito melhor ator no festival de Cannes. Ele é tido como a terceira força na corrida pelo Oscar, atrás de Clooney e Pitt. Naturalmente, é o franco favorito nessa disputa. Aqui, infelizmente, o único trabalho que assisti foi o de Owen Wilson, que está bem em “Meia-Noite em Paris”. Brenda Gleeson, por “O Guarda”, seria uma aposta ousada, embora haja precedentes – alguém acreditava numa vitória de Paul Giamatti, no ano passado, por “A Minha Versão do Amor”? Acho mericidíssimo, mas me surpreendeu. Acredito que talvez o maior adversário de Dujardin seja justamente Ryan Gosling, caso os votantes do Globo queiram compensar uma eventual perda dele na outra categoria. Mas é difícil.

Quem deveria ganhar: Não vi o filme do Ryan Gosling, mas, pô, dêem alguma coisa pra esse cara!

Quem vai ganhar: Jean Dujardin, por “The Artist”.

MELHOR ATRIZ EM DRAMA

Viola Davis é a grande favorita da categoria, pelo trabalho em “Histórias Cruzadas”. Viola é uma grande atriz. Basta a única cena em que ela participa de “Dúvida” pra demonstrar isso. Aquela cena já lhe valeria o Oscar – que acabou indo pra Penélope Cruz naquele ano, pelo competente trabalho em “Vicky Cristina Barcelona”. A verdade é que nessa categoria só tem fera. Com Michelle Williams sendo deslocada para a categoria de comédia, abriu-se espaço para Rooney Mara, por “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Rooney e Charlize Theron estão tentando desbancar as vagas de Tilda Swinton ou Glenn Close, tidas como as concorrentes menos fortes na corrida pelo Oscar. Realmente, só tem fera.

Quem deveria ganhar: não tendo assistido nenhum dos filmes, só posso atestar que minha torcida é por Tilda Swinton, embora já saiba de antemão que isso seria uma tremenda zebra. (Tão grande quanto a em que ela ganhou o Oscar por “Conduta de Risco” alguns anos atrás? Eu diria que maior.)

Quem vai ganhar: Viola Davis, por “Histórias Cruzadas”.

MELHOR ATRIZ EM COMÉDIA

Como Jean Dujardin, Michelle Williams se beneficia por não estar na categoria mais acirrada de atores. Aqui ela tem a companhia de Charlize Theron, por “Jovens Adultos”, de Jason Reitman – sua única real ameaça, acredito -, de Kristen Wiig pelo “Se beber não case” feminino, “Missão Madrinhas de Casamento” – Wiig é uma das melhores atrizes do SNL! – e as – excelentes, diga-se de passagem – atrizes de “Carnage”, Kate Winslet e Jodie Foster. “Carnage”, no entanto, é um filme que me desperta grande expectativa, mas está completamente fora do radar. Só as indicações já são vitórias.

Deveria ganhar: pelo que eu tenho escutado falar, Charlize Theron.

Vai ganhar: Michelle Williams, por “Sete Dias com Marilyn”.

ATOR COADJUVANTE

Aqui Plummer parece ser o ligeiro favorito, embora essa também seja uma das categorias mais propensas a surpresas. Albert Brooks está muito elogiado em “Drive”. Seria uma possibilidade de lembrar desse filme. Outra escolha, mais arriscada ainda, seria apostar na já surpreendente indicação de Viggo Mortensen como Freud no filme de David Cronenberg, “Um Método Perigoso”.

Deveria ganhar: Abstenção total.

Vai ganhar: Christopher Plummer, “Beginners”.

ATRIZ COADJUVANTE

Aqui, a briga fica entre as atrizes de “Histórias Cruzadas” – Jessica Chastain e Octavia Spencer e a argentina Berenice Bejo, pelo trabalho em “The Artist”. Spencer – uma ilustre desconhecida, se você me perguntar, mas que tem uma página no IMDB cheinha de trabalhos; acredito que praticamente todos, pontas – tem chamado atenção e levado alguns prêmios de crítica. Supostamente, ela levaria vantagem sobre Chastain. Mas a favor de Jessica Chastain está o ano rico de trabalhos que ela teve, incluindo “O Abrigo” e “A Árvore da Vida”. Muitos acham que, pelo conjunto da obra, pode dar Chastain. É uma teoria. Outros acreditam que Bejo se beneficie do vote-splitting entre as atrizes do filme de Tate Taylor, e seja premiada. Também é uma teoria.

Deveria ganhar: Não faço a menor idéia.

Vai ganhar: Aqui estou apenas um pouco menos confuso do que na pergunta anterior.  Vamos ver… Acho que Jessica Chastain, por “Histórias Cruzadas”.

MELHOR DESENHO

Deveria ganhar: ???

Vai ganhar: Bah. Difícil. Acho que a briga está entre “Rango” e “As Aventuras de Tintin”. Vá lá. Vou de “As Aventuras de Tintin”.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Deveria ganhar: O mais hypado deles eu ainda não assisti, que é o iraniano “A Separação”. Desconsiderando-o, acho que tanto A Pele que Habito quanto O Garoto da Bicicleta seriam boas escolhas. Tem também o filme da Angelia Jolie, como vocês sabem, concorrendo pela Bósnia, na disputa. Eu iria de irmãos Dardenne, acho, embora também goste bastante do Almodóvar.

Vai ganhar: “A Separação”, de Ashghar Faradi.

MELHOR TRILHA SONORA

Deveria ganhar: Gosto muito do trabalho do Alexandre Desplat, em “Tudo pelo Poder”, que não foi indicado. Trent Raznor e Atticus Ross, merecidamente premiados no filme do Fincher do ano passado, esse ano retornam, mais uma vez, no filme do Fincher. É tudo o que tenho a dizer.

Vai ganhar: Difícil. Essa categoria está aberta. Honestamente, acho que pode dar qualquer um, menos o filme da Madonna. (Daí, o filme da Madonna vai lá e ganha.)

MELHOR CANÇÃO

Deveria ganhar: Ok, não me dei ao trabalho de escutar as músicas. Normalmente, essas músicas indicadas a premiação de filme não necessariamente são my cup of tea. Eu suponho que esteja torcendo para uma música com letra de Bernie Taupin e melodia de sir Elton John, por um filme que não assisti, chamado “Gnomeu e Julieta”. Hmm.

Vai ganhar: Hmm. Elton John, Madonna, Chris Cornell, Glenn Close, Mary J. Blige. Hmm. Vou chutar a música de “Histórias Cruzadas”. Vai saber…?

PITACOS NA TV:

Não tem “Mad Men” esse ano. =/

Minhas torcidas desavergonhadas são pra “Mildred Pierce” e “American Horror Story”. Tenho também um certo flerte com “Too Big to Fail”.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.